Putz, isso de novo, não vai dar certo não, figurinha repetida não completa álbum, heim? Cala a boca, Anna. E o cara ainda namora. Namorar? Aquele plasma? Velho, ontem a gente tava na casa dele e quando meu irmão perguntou onde é que tava aquela coisa, ele só falou, bah, tá em casa. Dormindo.
Mas eu vi, eu vi, seu ex tava a fim de te pegar horrores, você viu o jeito que ele tava olhando, e como ele ficou tirando foto sua aquela hora? Depois de toda aquela cerveja que eu bebi, nem teve bolas o suficiente pra chegar beijando. Ele tava sóbrio, cara. Sóbrio. Duvidé-ó-dó, que dozinha, todos aqueles cigarros também. Jesus. Puta vontade & puta medo de te beijar. Eles até apostaram. O quê? Apostaram, Alex e Flavinha, se ele ia te beijar meia noite e trinta ou meia noite e quarenta. E quem ganhou? NINGUÉM, PORRA, NINGUÉM. Calma, calma. Mas não acabou, escuta. Eu voltei pra casa.
Hã.
E ele me mandou uma mensagem, puta que pariu como esse café tá ruim, quem fez esse café?
Foi o Aldo. Que mensagem ele te mandou?
Ai,
olha -
Desculpa por hoje eu queria muito, mas com os meninos aqui a Michelle ia ficar sabendo rapidão. Vamo encontrar depois? Beijos como naquele outono. Porrra mas ele é burro, meu deus.
Burro?
A gente namorou durante o inverno e a primavera.
Pffffff...!
Mandou isso às 5h da manhã, ele devia estar fumado. Ele chegou para mim e perguntou se eu seguia a jonfa. Hahaha! Sensacional né.
E o que você disse?
Hoje não.
Pfff...!
Michelle, velho, com dois eles, pelo amor de deus!
Conta rápido que eu tenho aula daqui a pouco.
Então, ele falou com os meninos que ele ia fumar um mais tarde, que ele tava me chamando e que não era pra eu dar esparro. Eu já tava louca e de saco cheio de tanta cerveja.
Ah, dona Cecília, olha lá o que você tá aprontando heim.
Na boa. Pra mim chega. Que vontade de parar de existir. Eu respondo a mensagem? Responde! O que eu escrevo? Sei lá manda um ok bem frio pra ele.
Não, só isso não. Esquece, não vou responder. Responde! Responde mais tarde.
Que tal - eu escrevo: ok, entendo, você me liga, mas eu não vou ficar esperando por que eu sei bem como você é.
Sabia que ele morre de saudades de você?
E eu morro de saudade dele.
Ohn...!
Mas que caralho, velho.
Se controla, eu vou pra aula, me encontra no centro que a gente almoça juntas mais tarde tá?
Ok.
Sem essa cara de velha da quaker também.
Tá bom, tá bom.
sábado, 12 de setembro de 2009
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
cerrado
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Da página rasgada do caderno ao correio veio em quilômetros a apelação muda da leitura, o que lê em silêncio, de pé e assustado; e a outra que pergunta qual é a notícia do telegrama dessa vez. Uma foto, uma cobrança, um agradecimento, lembrete, despedida – os beijos enviados. Padece com o cálculo dos anos, com o almoço saindo e a falta de fome que vem com a náusea. O chão de cimento pintado do outro lado da linha da estrada. As xícaras e os pratos esmaltados, estremece as vidraças com os trovões. Abraço ambíguo. Odiar. Negaram-no portanto, tal árvore não é sua, aquela terra cheia de sol e solo onde eu cresceria diante do perfume forte das frutas amadurecendo, o cheiro da chuva vindo ou vinda do chão, formigueiros, a planta seca, o sacrifício vão da vida correndo na ficcionalidade que nos conta o tempo.
Da página rasgada do caderno ao correio veio em quilômetros a apelação muda da leitura, o que lê em silêncio, de pé e assustado; e a outra que pergunta qual é a notícia do telegrama dessa vez. Uma foto, uma cobrança, um agradecimento, lembrete, despedida – os beijos enviados. Padece com o cálculo dos anos, com o almoço saindo e a falta de fome que vem com a náusea. O chão de cimento pintado do outro lado da linha da estrada. As xícaras e os pratos esmaltados, estremece as vidraças com os trovões. Abraço ambíguo. Odiar. Negaram-no portanto, tal árvore não é sua, aquela terra cheia de sol e solo onde eu cresceria diante do perfume forte das frutas amadurecendo, o cheiro da chuva vindo ou vinda do chão, formigueiros, a planta seca, o sacrifício vão da vida correndo na ficcionalidade que nos conta o tempo.
domingo, 6 de setembro de 2009
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Pronto, já passou, é manhã de hoje e se você está fazendo alguma coisa agorinha é abrir presentes, dormir, limpar o resto de alguma festa em casa, receber telefonemas atrasados. Quantas camisas você ganhou? Quantos livros? Meu deus que dia perdido o de ontem, eram nove e meia da manhã, sábado, e na biblioteca eu fui devolver um livro do Philip Roth que meu irmão estava lendo para alugar um Dante para mim, vi a data do carimbo expirando no dia de ontem mesmo e soltei um oooh suspirado que o bibliotecário não entendeu. São seus setembros. Me lembrei daquele trecho do meu livro favorito em que Sofía escreve a Rímini: mais um treze de agosto! Vocês dois nasceram no inverno. Como você comemorou? Ontem fui tão perto do bairro onde você mora. Ver o jogo. Beber. Troquei olhares com um rapaz bonito, sardento, eu tive tanto medo de te ver. O abraço seria mais longo. Fiquei repetindo entre as estantes de livros, trinta e três, trinta e três, trinta e três, trinta e três, trinta e três, trinta e três, como se eu estivesse doente

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Pronto, já passou, é manhã de hoje e se você está fazendo alguma coisa agorinha é abrir presentes, dormir, limpar o resto de alguma festa em casa, receber telefonemas atrasados. Quantas camisas você ganhou? Quantos livros? Meu deus que dia perdido o de ontem, eram nove e meia da manhã, sábado, e na biblioteca eu fui devolver um livro do Philip Roth que meu irmão estava lendo para alugar um Dante para mim, vi a data do carimbo expirando no dia de ontem mesmo e soltei um oooh suspirado que o bibliotecário não entendeu. São seus setembros. Me lembrei daquele trecho do meu livro favorito em que Sofía escreve a Rímini: mais um treze de agosto! Vocês dois nasceram no inverno. Como você comemorou? Ontem fui tão perto do bairro onde você mora. Ver o jogo. Beber. Troquei olhares com um rapaz bonito, sardento, eu tive tanto medo de te ver. O abraço seria mais longo. Fiquei repetindo entre as estantes de livros, trinta e três, trinta e três, trinta e três, trinta e três, trinta e três, trinta e três, como se eu estivesse doente
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Senta no vaso não, senta aí não que você vai pegar sífilis aids gonorréia gripe suína, vai beber cerveja que é melhor. Atravessa seus quarteirões frios, o inverno foi foda, cara, e o verão chegou mais cedo, entra no pub, se acaba. Meus hematomas. E então volta para casa no silencioso banco-de-trás-de-táxi e sem tirar a maquiagem preta vermelha lilás, que escorre, sem medo da ressequida ressaca de amanhã, capota na cama e adormece.
Senta no vaso não, senta aí não que você vai pegar sífilis aids gonorréia gripe suína, vai beber cerveja que é melhor. Atravessa seus quarteirões frios, o inverno foi foda, cara, e o verão chegou mais cedo, entra no pub, se acaba. Meus hematomas. E então volta para casa no silencioso banco-de-trás-de-táxi e sem tirar a maquiagem preta vermelha lilás, que escorre, sem medo da ressequida ressaca de amanhã, capota na cama e adormece.
sábado, 5 de setembro de 2009
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
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Vai chover, eles diriam, está todo mundo falando disso, falando que vai chover. Mantenho a lista de tarefas no caderno, vou riscando com caneta vermelha tudo aquilo que já fiz. Comprar pincéis, certo, não gastar mais de dez reais com isso por que você sabe, você sempre estraga os pincéis, pagar aquele curso, marcar de cortar o cabelo, fazer as unhas (meu deus do céu de que cor pintar dessa vez?), fotocópias, a lista extensa de textos teóricos gramáticos analíticos paralíticos. Seria tão mais fácil se eu me chamasse Carlos - eu poderia olhar para mim mesma(o) e dizer, não se mate, Carlos, sossegue, o amor - como na primeríssima linha & título da página cento e noventa e seis. Estava no índice remissivo. Parar de arrancar as cutículas com os dentes, usar esse vestido, beber menos café, alugar esse filme, terminar de escrever escrever escrever uma história; eu vou colocar essa muleta ali. Mas a gente nunca termina. A gente mente que termina.
Vai chover, eles diriam, está todo mundo falando disso, falando que vai chover. Mantenho a lista de tarefas no caderno, vou riscando com caneta vermelha tudo aquilo que já fiz. Comprar pincéis, certo, não gastar mais de dez reais com isso por que você sabe, você sempre estraga os pincéis, pagar aquele curso, marcar de cortar o cabelo, fazer as unhas (meu deus do céu de que cor pintar dessa vez?), fotocópias, a lista extensa de textos teóricos gramáticos analíticos paralíticos. Seria tão mais fácil se eu me chamasse Carlos - eu poderia olhar para mim mesma(o) e dizer, não se mate, Carlos, sossegue, o amor - como na primeríssima linha & título da página cento e noventa e seis. Estava no índice remissivo. Parar de arrancar as cutículas com os dentes, usar esse vestido, beber menos café, alugar esse filme, terminar de escrever escrever escrever uma história; eu vou colocar essa muleta ali. Mas a gente nunca termina. A gente mente que termina.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
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Te encontrei várias vezes no metrô de Viena, por acaso, um abraço e te ligo mais tarde . Não estava em lugar algum. Te deixei tantas várias vezes sentado naquele bar com a conta após desentendimentos políticos fóbicos amorosos literatomusicais, ou ivernos, por debaixo. Ou te achei esquecido nos bolsos dos casacos depois de um verão inteiro ou numa pedra solta, na qual de repente tropecei e machuquei o pé, não havia nada sob ela. Esperando nos consultórios dos dentistas. Marcando um encontro perto daquele monumento naquela praça perto daquela árvore junto a tal estação. Ou bêbado, desolado, me abraçando pela cintura por não conseguir se levantar. Passeando com o cachorro, vestido numa calça velhinha de pijama, debruçado sobre a avenida. Jogando as flores no chão, me esperando naquele small café em Berlim (Lou nos falou dele, Lou estava certo e nós estávamos completamente errados), o isqueiro, o maço sobre o livro fechado, o meu tempo inconsciente. Eu vim aqui e olhei. Contei cada achado e perdido do inventário do seu morto.
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